A GÊNESE DO CONTROLE INTERNO

Pesquisas realizadas regularmente em milhares de empresas brasileiras pela KPMG, uma das quatro maiores multinacionais do mundo no ramo de auditoria, indicam que mais de 60% das fraudes que lesam o patrimônio empresarial, são geradas pela deficiência do controle interno. De cada 10 empresas brasileiras, 7 sofrem fraudes cometidas pelos seus colaboradores. Quanto mais desorganizada ela for, quanto mais seus controles estiverem sem uso, maior a probabilidade disto acontecer. 

Uma cultura de números, facilita sobre maneira a tarefa de controlar. Afinal, eles comunicam de forma direta, os resultados, as referencias, os padrôes e as variações ocorridas. Por incrível que pareça, vc pode perceber esta tendência no cotidiano das empresas. Quanto menos os números constarem nos diálogos, nos documentos, nas reuniões, mais imprecisos e inexatos serão os resultados desta organização. Mas nem só de números vivem as empresas. 

O controle interno é um procedimento que visa inibir e dificultar a fraude corporativa. Ele não garante que ela desapareça por completo. Mas cria mecanismos que facilitam a sua redução e de certa forma, contribuem para tornar mais rápida a sua identificação. Existem preceitos fundamentais que devem ser observados. Um deles, é a prestação de contas, já incluído no hall das boas práticas de governança. Quem possui alguma responsabilidade financeira ou material, precisa prestar contas dela para alguém. 

Uma outro preceito bastante básico, é o da duplicidade de verificação. Refere-se à checagem dupla, muitas vezes por pessoas diferentes, sobre um mesmo ponto. O registro escrito da operação, que possibilite refazer o caminho percorrido também é fundamento importante. Documentar e formalizar as operações é necessário para controlá-las. Quanto maior o nível de informalidade, maior o risco de fraude. Por fim, mas não menos importante, temos que considerar outro pilar do controle interno. Podemos chamá-lo de particionamento da tarefa ou da decisão. Trata-se de nunca deixar na mão de uma só pessoa tarefas ou decisões que afetem o patrimônio da empresa. Desta maneira, as acões de autorizar, comprar, receber a compra, pagar, conferir, devem ser exercidas por pessoas diferentes. 

Vivemos numa cultura que enaltece o furto. Pessoas tornam-se bem sucedidas com base nele, muitas vezes ficam impunes. Por outro lado, esta mesma cultura fomenta a boa fé nas pessoas e incentiva a expectativa de que sejam honestas. Este é um rumo certo para a decepção. Não são raras as vezes que o problema está onde menos se espera. Por isso, nunca podemos esqueça de dois C's: Confiar e Conferir. 

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