TORNEI-ME UM ESPECIALISTA, E AGORA ?


O mercado exige que todos sejamos generalistas. Exige que entendamos de marketing, de vendas, de pessoas, de finanças, de economia, de contabilidade, de processos e muito mais. Ele almeja soluções rápidas e completas num piscar de olhos. Quer que suas necessidades sejam atendidas da forma mais barata sem pestanejar. Mas o mercado somos nós. E os generalistas existem mas é bom que se diga que ninguém, mas ninguém mesmo, conseguem saber de tudo o tempo todo. Ninguém consegue dominar todos os assuntos. Podemos ter uma noção, ser bem informados, dispor de um conhecimento enciclopédico, mas as questões do mundo atual pedem mais do que isso. Você pode até falar a mesma linguagem e conversar sobre física quântica com alguém, mas isso não faz de você um físico.

A especialização é um movimento natural que ocorre em muitas outras profissões. Na medicina por exemplo, devido à rapidez dos avanços tecnológicos, bem como devido à complexidade do corpo humano e todas as interações necessárias para a sua saúde, há muito tempo a especialização criou uma infinidade de profissionais. O Clínico Geral não acabou mas tornou-se raro com um campo de atuação limitado. O raciocínio parece um tanto quanto lógico. Para você ser bom numa coisa, tem de se dedicar a ela. Mergulhar no seu universo teórico, adquirir experiência com a prática, aprimorar e aprender com os erros seus e dos outros, acompanhar a evolução da atividade, faz parte do negócio. Não dá para fazer isso com todos os assuntos que existem. A especialização é um desdobramento necessário e prático. Sem ela nosso mundo não andaria como anda. Existe uma certa relação entre especialização e qualidade. A curva de aprendizado é otimizada.

Muitas vezes você não escolhe ser um especialista. A vida escolhe você. Ela coloca você em tantas situações parecidas, que você acaba desenvolvendo um conhecimento próprio e adequado para estas situações. Essa é a melhor escolha. Melhor do que você escolher e escolher errado. E isso acontece bastante. As escolhas erradas de especializações são responsáveis por perdas de tempo e dinheiro. Perdas preciosas. Recursos desperdiçados nos melhores anos da vida. Vale aproveitar os erros transformar isso em experiência e Know-how. Levantar, sacudir a poeira e dar a volta por cima.

O fato é que ao tornar-se um especialista em alguma coisa, sua vida também muda. Ela jamais vai ser a mesma. Isso porque seu ramo de atuação e possibilidades de trabalho se reduzem, ou melhor se transformam. Você vai ter de aceitar isso e mais ainda, vai ter de entender e tirar proveito disso. Na verdade, um especialista precisa descobrir um nicho de mercado que se adeque à sua especialização. Sempre existe alguém que precisa daquilo que você sabe fazer bem. O seu trabalho agora é descobrir essas pessoas. Sendo um especialista isso também se torna mais fácil. Se você sabe o que faz, ajuda a definir também o seu mercado. E isso é a mesma coisa que definir as pessoas que precisam do seu trabalho.  Então, ser um especialista não é o fim do mundo. Talvez seja o começo.

O que importa é ter consciência que a especialização não significa estagnação. É preciso que você identifique as tendências, os movimentos e as mudanças, e principalmente, que você se adapte a elas. Ninguém sobrevive sem se adaptar. A falta de adaptação leva à extinção. Os especialistas bem sucedidos são aqueles que sabem dos seus pontos fortes e das suas competências, e utilizam isso a seu favor. São aqueles que se adaptam. Os especialistas talvez também tenham uma vida mais tranquila, pois não precisam estar se desdobrando em mil para dar conta de todos os problemas do mundo. E olhe que o mundo tem muitos. Tantos que é preciso especialistas para lidar com eles.

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