FINANÇAS PARA O BEM

Os conflitos fazem parte da vida em sociedade. Eles são resultado dos diferentes pontos de vista que as pessoas possuem acerca do mesmo assunto. Arrisco-me a dizer que além de comuns eles são inclusive necessários para o desenvolvimento. Logicamente desde que não cheguem ao ponto do confronto. Conflito é a oposição de ideias e interesses. Confronto é o conflito mal resolvido que torna-se um embate frente a frente. Torna-se um litígio, uma disputa, uma luta onde só existem dois resultados: Um vencedor e um perdedor. Os confrontos são soluções que só otimizam 50% dos resultados. Mas existem soluções onde isso pode ser maior. Soluções do tipo ganha-ganha, onde trabalhamos com mais de 50% dos resultados atendidos. Soluções que podem chegar a 70%, 80%, 90% e até 100%.

Na grande maioria dos casos, os conflitos são gerados pela ignorância. É difícil admitir porque a maioria das pessoas traz consigo um preconceito sobre isso. Acham que o ignorante é burro, quando na verdade ignorar é desconhecer. Na sua essência, os conflitos são causados pelo desconhecimento. Desconhecimento do assunto, dos motivos do outro, das possibilidades de solução, das vantagens de solucionar, das desvantagens em confrontar. Um dos maiores conflitos do mundo, foi vivido após a Segunda Guerra Mundial durante o período da Guerra Fria. O planeta passou de ser extinto em mais de uma ocasião. Os Estados Unidos e a União Soviética estavam encabeçando os lados opostos, cada um com um arsenal nuclear capaz de destruir a Terra inteira mais de uma vez. Nos anos 80, o americano Carl Sagan ficou conhecido dos brasileiros pela série de televisão que demonstrava o Universo chamada Cosmos. O que pouca gente sabe é que ele integrou uma equipe de cientistas americanos e soviéticos que estudaram, publicaram e divulgaram através do livro O Inverno Nuclear, as consequências desastrosas de uma guerra entre as duas potências usando armas atômicas. Eu li este livro. A conclusão era que o planeta seria destruído e ninguém sairia ganhando. Ou seja, eles provaram que aquele confronto não teria ganhadores. Somente perdedores. Era uma solução 0%. Com isso, eles tiraram os líderes mundiais da ignorância e eles perceberam que aquela guerra não teria como ser feita porque não teria como ser vencida.

Assim como o mundo não acabou por causa desse esclarecimento, muitos conflitos na nossa vida cotidiana podem ser resolvidos da mesma maneira. Com um bom e correto esclarecimento. Esclarecer é informar, trazer à tona, trazer luz a determinado ponto que está obscuro, tornar claro. Esclarecer possibilita a geração de alternativas de solução que até então não eram enxergadas. O conflito cega mas o esclarecimento lança novos pontos de vista. Ajuda as pessoas a verem as coisas e encontrarem outras possibilidades. E ele pode ser feito de várias maneiras. Trazendo informações novas com palavras e exemplos. Mas também pode ser feito através dos números. Os números informam da mesma maneira que as palavras e muitas vezes são a única ferramenta efetiva para esclarecer e possibilitar a resolução de conflitos que se estabelecem. Os números quando bem demonstrados, ilustrados e construídos, são poderosos vetores para a conciliação.

Na grande maioria dos conflitos existe um viés financeiro mesmo que submerso. As vezes as pessoas não falam. Depende muito do estilo de cada um. Alguns tocam nesse ponto abertamente e arriscam-se a ser julgados de forma pejorativa. Outros são mais discretos e outros até receiam em admitir. Mas a verdade é que em muitos casos, a variável financeira pode ser determinante para resolver o problema. Isso nada tem de certo ou errado. É apenas um fato prático. E assim como o universo descrito por Carl Sagan, este universo está repleto de números. Por desconhecerem, muitas pessoas imaginam que a atividade financeira existe apenas para lesar os inocentes. Não é verdade. As finanças são uma extraordinária ferramenta para lidar de uma forma objetiva com o valor das coisas que é algo subjetivo. Elas são uma necessidade sem a qual estaríamos ainda na idade da pedra da economia, trocando pesados sacos de alimentos e garimpando pequenos pedaços de metal. Assim como eu faço, outros fazem. Assim como eu penso. Outros pensam. Existem finanças para o bem.

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